Usar IA x Construir IA: Entenda a Diferença Antes de Começar no Mundo da Inteligência Artificial

A popularização da inteligência artificial nos últimos anos trouxe uma divisão fundamental para quem está entrando nesse universo: a diferença entre usar IA pronta e construir uma IA. Embora muitas pessoas conheçam ferramentas como ChatGPTGeminiCopilot e Midjourney apenas pelo uso cotidiano, há uma camada mais profunda e técnica que envolve a criação de modelos, o desenvolvimento de sistemas inteligentes e a infraestrutura necessária para que eles funcionem. Para o público iniciante, compreender essas duas abordagens é essencial para tomar decisões informadas sobre estudos, carreira e utilização da tecnologia.


Imagem Criada por Gemini.com 


Cenário Atual

O cenário atual mostra um crescimento acelerado da adoção de IA generativa em diversos setores. 

IBM Global AI Adoption Index mostram que construir IA continua sendo um desafio devido à falta de profissionais especializados e aos altos custos de infraestrutura. 

Plataformas como Google Cloud Vertex AIAzure AI e as APIs da OpenAI permitiram que empresas e indivíduos utilizassem modelos sofisticados sem a necessidade de conhecimentos avançados em programação ou ciência de dados.

Uma pesquisa do Gartner de 2024 (divulgada em maio) mostrou que as organizações estão adotando a IA generativa principalmente por meio de recursos integrados em aplicativos de software existentes (recursos "embarcados"), o que é mais comum do que personalizar modelos com engenharia de prompt (25%) ou treinar modelos próprios (21%). 

Ao mesmo tempo, a demanda por especialistas capazes de desenvolver soluções sob medida continua crescendo, especialmente em áreas reguladas como finanças, saúde e segurança da informação.

Relevância

A relevância desse tema para iniciantes é clara. Entender o que significa usar IA e o que acontece nos bastidores quando se constrói um modelo permite que o leitor identifique seus objetivos de carreira, avalie melhor oportunidades no mercado e compreenda o impacto real dessas tecnologias. Além disso, ajuda a evitar interpretações equivocadas sobre o funcionamento da IA e reduz a dependência cega de ferramentas prontas.

Aqui vamos trazer uma abordagem informativa e pedagógica, sem favorecer qualquer dos caminhos. O propósito é apresentar, de maneira clara e acessível, a diferença entre utilizar soluções de IA prontas e construir sistemas de IA do zero. A partir disso, o leitor poderá entender as responsabilidades, desafios e possibilidades de cada abordagem.

Usar IA x Construir IA

Usar IA é o termo aplicado quando uma pessoa opera ferramentas, aplicativos ou plataformas que já possuem inteligência artificial integrada. Essas soluções normalmente são acessadas por interfaces visuais simples ou via APIs e não exigem conhecimento técnico aprofundado. Exemplos incluem chatbots, geradores de imagens, plataformas de automação, assistentes virtuais e aplicativos de análise de texto. A lógica desses sistemas é aproveitar modelos pré-treinados, normalmente desenvolvidos por grandes empresas de tecnologia, que oferecem resultados imediatos com pouca ou nenhuma configuração adicional.

Por outro lado, construir IA envolve uma estrutura muito mais complexa. Trata-se de criar modelos, treinar sistemas, testar algoritmos e implementar soluções capazes de aprender e evoluir com dados. Isso exige domínio de programação, matemática aplicada, estatística, ciência de dados, engenharia de dados e conhecimentos sobre infraestrutura computacional. Também envolve metodologias como MLOpsLLMOps e frameworks amplamente utilizados no mercado, como TensorFlowPyTorch e Hugging Face. O processo inclui várias etapas: coleta de dados, preparação, modelagem, validação, implantação e monitoramento. É um ciclo contínuo, que demanda testes rigorosos, ajustes frequentes e conformidade com questões éticas e legais, como a proteção de dados prevista na LGPD.

A diferença entre essas duas abordagens pode ser observada na prática. Usar IA é rápido, acessível e intuitivo. Qualquer pessoa pode, em poucos minutos, criar uma imagem, gerar um texto ou automatizar uma tarefa. A personalização é limitada, mas o usuário aproveita a robustez de modelos já treinados por grandes empresas. No ambiente corporativo, essa abordagem é ideal para automação administrativa, atendimento ao cliente, criação de conteúdo e análise básica de dados.

Construir IA, por sua vez, é escolha de empresas que precisam de modelos altamente personalizados, sistemas que tratam dados sensíveis ou soluções que exigem desempenho superior. Bancos constroem modelos próprios de crédito e detecção de fraude; hospitais desenvolvem sistemas de risco clínico; indústrias criam modelos para prever falhas e otimizar processos. Nesses casos, o nível de personalização e controle é muito maior, embora os custos e a complexidade técnica também aumentem significativamente.

 

Exemplos práticos para uso imediato

 

Tarefa

Ferramenta Sugerida

Usos

Escrita e revisão

ChatGPT

Criar e revisar textos, e-mails e relatórios

Análise de dados

Akkio, DataRobot

Automatizar relatórios e prever tendências

Organização de reuniões

Tactiq

Transcrever e retomar reuniões

Automação de documentos

Microsoft Copilot

Agilizar Excel, PowerPoint e Word

Atendimento ao cliente

Chatbots via plataformas IA

Responder dúvidas comuns e autoatendimento

posto rápido de sites

Durável.co

Desenvolver presença online sem programação

Com esse foco no consumo de serviços de IA, não será necessário aprender a programar ou criar modelos, apenas entender como utilizar esses recursos para aumentar a produtividade e facilitar processos no seu trabalho.

Riscos e Limitações

Há riscos e limitações em ambas as abordagens. O uso de IA pronta pode gerar dependência excessiva de plataformas externas, além de limitações técnicas e possíveis restrições no uso dos dados. Falta de conhecimento sobre o funcionamento interno dos modelos pode levar a interpretações erradas, especialmente em situações críticas. Já a construção de IA enfrenta barreiras como custos elevados de infraestrutura, necessidade de equipes multidisciplinares, riscos de vieses, falta de transparência e os desafios de manter segurança e governança em toda a cadeia de dados.

Conclusão

Para iniciantes, a recomendação é sempre começar usando IA. Isso permite compreender conceitos básicos, ganhar familiaridade com os modelos e entender o potencial da tecnologia sem enfrentar barreiras técnicas. A evolução para construção de IA pode ser gradual, acompanhada de cursos de ciência de dados, programação em Python e fundamentos de machine learning.

Para empresas, a decisão entre usar ou construir deve considerar o custo, o tempo, a complexidade e a real necessidade de personalização.

Em síntese, usar IA e construir IA são caminhos complementares dentro do ecossistema tecnológico. Usar IA entrega agilidade e acessibilidade; construir IA oferece controle e personalização profunda. Para quem está começando, explorar ferramentas prontas é o primeiro passo para compreender o valor da tecnologia e identificar áreas de interesse. A construção vem depois, para quem deseja avançar e trabalhar com níveis mais altos de complexidade. É um processo contínuo de aprendizado, experimentação e evolução.

Convido você, leitor iniciante, a explorar as ferramentas de IA disponíveis, experimentar aplicações práticas e considerar um plano de estudo progressivo caso deseje avançar para o desenvolvimento de modelos. O universo da inteligência artificial é amplo, acessível e repleto de oportunidades para quem decide aprender e se aprofundar.

Fontes: Gartner – Hype Cycle for Artificial Intelligence 2024; IBM – Global AI Adoption Index 2023–2024; Google AI Research; Microsoft Responsible AI Standard; Hugging Face Documentation; FuturepediaScieloSAS Analytics.

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